A virada do milênio trouxe muita coisa boa, ao menos para música, é claro. De 99 para 00 muitos diziam que o mundo ia acabar, com isso uma galera acabou cometendo suicídio, puro medo do que estava por vir. Os anos 2000 chegaram, o mundo não acabou e na música as bandas gringas, leia Strokes, fizeram a cabeça do mundo, com uma forma diferente de fazer música, o Indie Rock teve seu momento de ápice.

Depois do lançamento de “Is This It”, o primeiro álbum dos Strokes, o mundo não foi mais o mesmo, para alguns essa onda chegou no Brasil como uma marolinha para outros um verdadeiro tsunami que derrubou e reconstruiu ao mesmo tempo, a influencia no cenário Indie Rock nacional nos anos 2000 é inegável, muita banda nova surgiu, essas bandas lançaram lindíssimos trabalhos independentes que aqui recebem uma homenagem justa e merecida.

Tentei ser imparcial, mas não consegui… nessa lista estão sim 4 discos de estreia, de bandas nacionais, com os pés no Indei Rock e outras milhões de influencias, mas também estão 4 discos que fizeram minha cabeça durante todo esse tempo nos anos 2000, confere:

Mombojó – Nadadenovo (2004)

anos 2000

Na ativa desde o começo do novo milênio, a banda Mombojó sempre foi destoante de seus contemporâneos por fazer uma grande mistura de elementos músicas. Já nesse primeiro álbum, que merece muito respeito, eles faziam uma mistura de reggae, MPB, pós-rock, indie rock, dub, samba e dessa mistura toda nasceu uma sonoridade única.

Os pernambucanos são também frutos do movimento manguebeat, eles deram o ponta pé para o pós-manguebeat e ainda nesse primeiro disco tinham como parceiro um dos grandes nomes da música pernambucana, o China. “Nadadenovo” é um disco de refrões inesperados, grooves e batidas tendenciosos à paranoia totalmente imprevisível e leva o improviso a sério.

Curiosidade: Esse disco ia se chamar “Alexandre”, mas na última hora acabou ganhando o nome de “Nadadenovo”, dez anos depois, o quarto disco, de inéditas, da banda ganhou o nome de “Alexandre”, propondo uma volta às origens.

Clique aqui e ouça o disco “Nadadenovo”.

Cansei de Ser Sexy – Cansei de Ser Sexy (2005)

anos 2000

Eu lembro como se fosse hoje a primeira vez que ouvi “Let’s Make Love and Listen to Death from Above”, um dos principais singles do primeiro disco da Cansei de Ser Sexy, estava sentado no sofá da sala assistindo a uma daquelas playlists que a MTV botava pra tocar de madrugada e de repente eu fiquei abismado. Sim o clipe me levou ao disco, que acabou virando um dos meus favoritos.

O primeiro disco homônimo da banda é uma mistura de diversas influencias começando pelo Indie rock, Synthpop, Rock alternativo e o Electroclash. Na época de seu lançamento ele projetou a banda pra cena musical da gringa, elxs sempre cantaram em inglês mesmo e isso pode ter sido um dos fatores que ajudou a Cansei de Ser Sexy virar trilha sonora de reality shows (na gringa e no Brasil também) e até mesmo de um jogo para Xbox 360.

No ano seguinte (2006) o disco ganhou uma versão internacional, os discos seguintes conseguiram lançamentos também no Canadá e nos Estados Unidos. Eita que primeiro álbum merecedor de respeito, lacraram bonito, isso que eu chamo de impacto!

Curiosidade: O álbum vinha com um CD-R na mesma embalagem com intuito de que o comprador pudesse copiar o disco em um computador e dar de presente para algum amigo.

Clique aqui e ouça o disco “Cansei de Ser Sexy”.

Pública – Polaris (2006)

anos 2000

Gostaria de destacar, a Pública, como um dos principais expoentes do Rock Gaúcho em todos os tempos, lá a onda Strokes chegou como um verdadeiro tsunami nos anos 2000 e influenciou uma porrada de banda de uma forma que muitas pareciam até mesmo covers de deles. Nunca foi o caso da Pública.

Eles conseguiram criar sua identidade já para o primeiro disco e foram conquistando seu próprio público, a Pública sempre levou a música muito a sério, isso é perceptível em suas letras, melodias e vídeo clipes. Digo sem medo algum que foi o frescor juvenil e a emergência presentes nesse disco que me apresentaram ao Rock Gaúcho.

Curiosidade: A banda se isolou da capital para as gravações desse disco, dedicando toda a atenção para a gravação dessa pérola gaúcha.

Clique aqui e ouça o disco “Polaris”.

Vivendo do Ócio – Nem Sempre tão Normal (2009)

anos 2000

Lá por meados do fim da primeira década dos anos 2000 surgiu a Vivendo do Ócio, os baianos ganharam o concurso GAS Sound, com isso conquistaram o direito de gravar um disco com mil cópias dela Deckdisc, a faixa “Fora Mônica” virou um hit e eles acabaram vendendo mais de 30 mil cópias do disco de estreia.

O CD foi muito bem recebido pela mídia especializada, os caras da Vivendo do Ócio em pouco tempo foram parar na MTV como Aposta no VMB de 2009, ganharam! Foram tocar na gringa representando a terrinha no Brazilian Day em Londres em 2010 e os clipes de “Dilema”, “Meu Precioso”, “Rock Pub Baby” e “Oh Não” continuaram o sucesso de “Fora, Mônica”.

Curiosidade: Para o lançamento de “Nem Sempre tão Normal” a banda regravou 10 músicas do CD demo “Teorias de Amor Moderno” e incluíram mais 4 inéditas.

Clique aqui e ouça o disco “Nem Sempre tão Normal”.