Irmãos Jaison e Helder Sampedro, que apresentam o RockALT, são os convidados da vez para listar 4 discos que influenciaram suas vidas. Confira agora:

Recentemente nós anunciamos que o 4 Discos tinha voltado, você lembra? Saiu um post bem foda que o quarteto Vinicius Mendes, Lucas Silva (LVCASU), Matheus Antonio (Theuzitz) e Guilherme França (Quasar) preparou falando sobre álbuns que influenciaram na criação do selo Pessoa que Voa. Agora chegou a vez dos irmãos Jaison e Helder Sampedro falarem sobre 4 discos essenciais para que o RockALT possa existir.

Criado em 2015, o programa é comando pela dupla e vem ganhando cada vez mais destaque, agora no YouTube eles dividem o tempo entre o programa de rádio e as entrevistas com bandas que gostam e admiram, indo sempre para o lado B do rock alternativo.

Confira 4 Discos por RockALT:

Helder Sampedro:

Alice In Chains – “Facelift” (1990)

Como um bom filho dos anos 80, pra mim é impossível falar de rock sem mencionar a cena de Seattle do início da década seguinte. Mesmo sendo uma criança, a influência era inescapável fosse assistindo a MTV, ouvindo a 89fm ou vendo as propagandas dos festivais que rolavam na época. Escolhi o Facelift não só por ser o primeiro álbum de uma das minhas bandas favoritas mas pelo que ele representa pra mim e para o cenário musical como um todo.

Lançado em 1990, esse disco cantou a bola do que viria nos anos seguintes, merecidamente, a última grande época do rock na mídia e no gosto do grande público. Os vocais incomparáveis de Layne Staley, as guitarras influenciadas pelo metal de Jerry Cantrell e o groove de bateria e baixo que é quase uma assinatura daqueles anos. Acredito ser uma das bandas mais subestimadas (entre as famosas) pelos fãs do gênero. A banda lançou apenas 3 LPs em sua formação original até 1995 e depois entrou em um hiato que só acabaria em 2009, infelizmente já sem a voz única do saudoso Layne que faleceu em 2002 após anos vivendo recluso em sua casa.

menores atos – “Animalia” (2014)

Eu não podia deixar de mencionar um álbum de uma banda de rock do cenário independente. Escolhi Animalia por representar o que eu acredito ser uma verdadeira renascença da música alternativa nacional. Pode ser só a minha opinião, mas de uns anos pra cá temos visto tantas bandas incríveis surgindo nesse genero e albuns sensacionais sendo lançados constantemente que eu duvido que vocês não concordem comigo nessa.

Esse também é um daqueles álbuns completos, irretocáveis, que você escuta de cabo a rabo, começo, meio e fim. As letras em português trazem o ouvinte pra perto, e é impossível não se ver encaixando acontecimentos da sua vida nas músicas desse álbum. A energia e força instrumental desse “power trio” carioca é impressionante e agradaria qualquer pessoa que goste sequer um pouquinho de rock. Fico muito contente e ansioso de saber que a produção do aguardadíssimo segundo álbum deles está a todo vapor e devemos ter algo novo logo no início de 2018.

Jaison Sampedro:

Motörhead – “Ace of Spades” (1980)

Motorhead fritou os meus miolos! E se tem um álbum que mudou a minha vida, sem dúvida nenhuma, esse álbum foi o Ace of Spades.

Quando eu era jovem eu não passava de um “metaleirinho” cabeça oca que curtia Iron Maiden, Judas Priest, Saxon, Dio, Slayer entre tantas outras. Acostumado com as músicas de longa duração características do Heavy Metal, dá pra imaginar o que aconteceu no dia que ouvi pela primeira vez a faixa titulo de 2 minutos e 47 segundos deste álbum, o meu gosto musical foi virado do avesso.

Foi graças a eles que eu comecei a escutar punk, e que eu saiba nenhuma banda no mundo conseguia unir no mesmo show a galera que curtia metal e a galera que curtia punk. Eu nem preciso ficar aqui dizendo porque eles conseguiam esse feito ou então ficar descrevendo o som deles e gastar palavras rasgando seda falando como eles eram fodas e ferozes no palco.

Muitos podem até dizer que o melhor álbum do Motorhead é o Overkill, pode até ser, mas eu guardo uma memoria afetiva muito grande pelo Ace of Spades (inclusive estou escutando ele enquanto escrevo esso texto), sem falar que esse é um daqueles discos que eu escuto de cabo a rabo sem pular nenhuma faixa. Outra coisa que me faz gostar dele ainda mais são as letras do disco, “Love Me Like A Reptile”, “Shoot You In The Back” e “Jailbait” são hilárias! E isso é outra coisa que eu sempre admirei no saudoso Lemmy, ele era um cara engraçadíssimo, nunca se levava a sério e era extremamente autentico.

Minha primeira e única tatuagem é a capa do single Ace of Spades no meu peito esquerdo e jamais irei macular o meu corpo com outra tatuagem. Motorhead é minha grande influencia, e com certeza a de muita gente também.

Mudhill – “Expectations” (2016)

O RockALT começou como um programa de rádio que só tocava o lado B de artistas consagrados como Sonic Youth, Replacements, Wipers, Descendents entre outros. Somente no ano de 2016, que meu irmão e eu começamos a tocar bandas do cenário independente nacional. Por isso que o segundo álbum que escolhi é desse ano. Foi graças a esse trabalho que cheguei até o disco Expectations do Mudhill, lançado em 2016 e sem sombra de duvidas é um dos melhores álbuns que escutei naquele ano e desde então não saiu do meu celular ou de minhas playlists.

O trio é formado por Zeek Underwood (Shed, Ludovic e Malni), Ali Zaher (Gagged e Eletrofan) e Rodrigo Montorso (Voltera e Smalls), só de ver essas bandas já dá pra sacar o que vem pela frente.

O álbum é uma grande homenagem ao som dos anos 90, mas não se resume apenas a um sentimento saudosista, as doze faixas do disco falam de sentimentos que todos nos quando jovens já sentimos. Expectativas, decepções amorosas, desabafos e persistência! Esta ultima fica extremamente clara na faixa “Not About Survival” que na minha opinião pode se tornar um hino da cena independente pois como diz a letra “Não se trata de sobrevivência, mas sim de se sentir vivo”.

E é com esse sentimento que muitas bandas independentes seguem em frente, não se trata apenas do dinheiro ou fama, mas sim daquilo que te faz vivo e faz com que você siga em frente, não importa o que aconteça pela frente.