O pensamento mais básico do cinema é o de que um filme, para se tornar um clássico inesquecível, precisa ser um sucesso de público no cinema, ter grande bilheterias e ser um sucesso de crítica.

E se eu te disser que não precisa de absolutamente nada disso? Um clássico é uma força da natureza. É um filme que traz uma ideia, um mote, um conjunto de técnicas tão inovadoras, que geralmente o filme nunca entendido em seus primeiros anos. E isso é um caso recorrente no cinema.

E este é o caso com um dos filmes mais cultuados de todos os tempos: Blade Runner. Dirigido por Ridley Scott, esta é a obra de cyberpunk que definiu o gênero, além de ser inspiração para muitas outras grandes obras, como Ghost in The Shell. Ele conta a história de um ex-policial que, no ano de 2019, é acionado novamente para caçar um grupo de andróides escravos, que foram desenvolvidos por uma corporação justamente para trabalhar em condições fora da terra.

Completo fracasso de crítica e público, o filme conseguiu cair na graça popular graças a essa história totalmente imersiva e cheia de personagens cativantes e interessantes, que fazem com que você se interesse totalmente por todos os problemas desenvolvidos. Muito antes de termos filmes que utilizam a trilha como personagem. O som difuso dos sintetizadores, compostos pelo lendário Vangelis, combina e envolve cada cena com um ambiente sonoro único, que acompanha as imagens de maneira perfeita.

Outro ponto também importante a ser levado em conta são os cenários desta Los Angeles de 2019. Altamente decadente e noir, é incrível ver os contrastes que cada um dos locais passa. Seja nos locais mais abandonados, ou nas ruas movimentadas, grandes letreiros de neon e telas de LED tomam o espaço urbano, criando o efeito de poluição visual, presente em muitos filmes do gênero .

A escalação dos atores é outro acerto do filme. Seja com o, na época, pouco conhecido Harrison Ford como Deckard ou com Rutger Hauer, como o andróide Roy Batty, cada um dos atores escolhidos representa muito bem seu papel, carregando o trauma e o peso de suas ações.

Aliás, o roteiro do filme é muito bom. Cheio de dilemas morais, ele sempre deixa claro o quanto os personagens são dúbios e humanos. Mesmo os andróides, que só querem ter um contato com seus criador, na esperança de poderem ganhar mais vida nesse processo. Isso sem contar todo um emaranhado de questões filosóficas sobre vida, morte, reconhecimento e humanidade que o filme nos faz pensar.

Enfim, muito a frente do seu tempo, Blade Runner é uma daquelas obras primas que merece ser vista sempre que possível. Tanto por ser um filme tecnicamente muito bem produzido, mas também para entender de onde saem as grandes referências de futuro distópico. Isso sem contar seu roteiro que mistura uma aventura interessante e também uma profundidade em temas e discussões complexas. Vale a pena tirar um tempo para assistir.

 

Wags Junior é jornalista, publicitário e ainda tá pensando em todos os temas do filme.