Finalmente! A sequência de um dos maiores sucessos nas apostas de filmes da Marvel estreou. E o que a gente viu foi um mais do mesmo. Porém, de um jeito muito bem feito.

Sequência direta do grande sucesso de bilheteria e crítica, é sempre interessante lembrar que Guardiões da Galáxia foi o filme mais arriscado que a Marvel já produziu até hoje. Afinal, os guardiões nunca foram os favoritos dos fãs (Como os grandes Homem de Ferro e Capitão América) e era muito fácil encontrar rodinhas de conversa onde as grandes perguntas eram como acreditar em um guaxinim e uma árvore falante.

Nas mãos de James Gunn e de um roteiro ágil e inteligente, estes personagens foram muito bem apresentados e caíram nas graças do público. E agora temos a segunda aventura dos heróis. E ela não deve nada a primeira.

 

E lá vem a segunda aventura…

Já de começo, somos colocados logo na direção que o primeiro filme tomou, os Guardiões continuam sua relação de “família” disfuncional e aceitando qualquer trabalho que traga grana e um pouco de diversão.

Porém, mesmo com um plot tão simples, o filme surpreende fazendo algo que outros grande blockbusters do gênero não tem conseguido fazer, utilizar a trama como fio condutor para um grande aprofundamento dos personagens.

Novamente, é impossível não prestar atenção no roteiro de Gunn. Todos os personagens aqui tem uma história de crescimento completa. Nada fica igual, depois do final do filme. Fica claro que a história de Peter Quill/ Senhor das Estrelas (Chris Pratt) é a principal, porém, todo o resto da equipe tem arcos pessoais tão interessantes e divertidos. E o melhor, deixando você escolher o que mais quer se sentir próximo.

Seja com Quill e a e a relação com seu pai, Ego – O Planeta Vivo (Kurt Russel), a resolução das relações entre Gamora (Zoe Saldana) e Nebulosa (Karen Gillan), a relação de irmandade entre Drax (Dave Bautista), Mantis (Pom Klementieff) e Baby Groot (Vin Diesel) ou o reconhecimento de Yondu (Michael Rooker) em Rocket (Bradley Cooper), qualquer umas das histórias é bem contada e inteiramente trabalhada durante o longa.

Nenhuma delas, porém, se distancia da leveza do longa. Um dos segredos do roteiro, é trabalhar todos estes temas em conjunto de uma maneira leve e completamente despretensiosa. Fazer com que você sinta cada momento dos personagens, mesmo em meio ao turbilhão de piadas, easter eggs e referências jogadas na tela. E Gunn faz isso, deixando as pontas corretas soltas. Tanto para a própria franquia, quanto para o universo como um todo. Sem deixar nenhuma cena sem propósito.

O único problema, pode ser que, para este desenvolvimento, algumas pessoas achem que o segundo ato do filme pode ser um pouco arrastado, mais lento. Porém, este é o exato momento em que há a maior evolução dos personagens, já que as cenas são focadas em resolver seus conflitos internos e interpessoais.

E as músicas?

Característica marcante, a trilha sonora tem seu papel importante na trama pontuando e destacando os momentos mais importantes da trama. Inclusive com algumas delas sendo utilizadas até em alguns diálogos importantes da trama. É praticamente impossível ouvir novamente as músicas e não lembrar de suas partes.

Os destaques vão para “The chain”, do Fleetwood Mac., “Father and Son”, de Cat Stevens e “My Sweet Lord”, de George Harrison. Porém, falta uma música que marquem tanto na cabeça, quanto “Hooked on a feeling” e “Spirit in the Sky”. Nada que estrague a diversão, mas pode deixar alguns fãs de música tristes, com a falta de músicas na cabeça.

Dando tamanho ao universo:

Outro mérito de Gunn é poder utilizar todo um vasto panteão de personagens espaciais da Marvel, sem a necessidade de se ater a qualquer tipo de realidade. Ele consegue brincar com vários easter eggs, além de utilizar personagens do segundo e até terceiro escalão, sem a necessidade nenhuma de se ater ao material fonte (Principalmente porque a maior parte deles é extremamente datada). Novamente, nenhum deles é gratuito, sempre agregando e muito para a história.

É extremamente visível como James Gunn sabe os limites que Kevin Feige e os executivos da Marvel colocaram no universo cósmico e brinca com eles de maneira fenomenal. Sempre crescendo seu próprio grupo e deixando os limites para os próximos filmes do estúdio (Thor: Ragnarok que o diga).

 

Enfim, Guardiões da Galáxia, vol. 2 é o filme perfeito para quem procura uma ótima história, excelentes personagens e detalhes incríveis. Claro que ele não é um filme perfeito, com pequenos problemas de lentidão no segundo ato. Porém ele faz o que se propõe com maestria, que é deixar o universo cósmico e os personagens muito mais fortes. Além de levar diversão irrestrita para quem assiste. E isso é louvável.

 

Wags Junior é jornalista, publicitário e ainda canta uns “AAAAAAAAA… I’m Hooked on a Feeling…” de vez em quando.