Terceiro reboot cinematográfico do amigão da vizinhança, o novo filme do Homem Aranha chegou com tudo nos cinemas brasileiros. Dessa vez, porém, com uma mudança que fez todo o diferencial no filme: Mesmo sobre com os direitos com a Sony, toda decisão criativa ficou por conta da Marvel. E, olha, melhor decisão possível que as empresas podiam ter.

 

Tudo começou como um boato. Depois de passar por problemas com seu segundo olhar sobre o cabeça de teia em “O Espetacular Homem-Aranha” (Que não foi tão espetacular assim), a Sony se viu perdida com um dos maiores personagens da Casa das Ideias. Com isso, nada mais justo do que a Marvel dar o direcionamento correto a um dos seus personagens mais queridos. Além de poder utilizar seu personagem dentro do seu universo.

E que decisão acertada para Sony. Se o debut do aranha durante o filme do Capitão 3 já me deixou tranquilo quanto a adaptação do herói, este filme mostrou que agora ele tem uma pavimentação perfeita a frente. Com um filme fechado e redondo, Homem-Aranha retoma um universo com infinitas possibilidades de crescimento.

A história gira em torno do jovem Peter Parker (Tom Holland). Com 15 anos e muita vontade de fazer o bem, que precisa dividir seu tempo entre a escola, as rondas de vigilante e seu tempo no “Estágio Stark” até que a descoberta de uma gangue pode pôr tudo a perder. Inclusive sua própria vida.

Com um roteiro redondo e coeso, acompanhamos um Parker muito mais próximo aos quadrinhos. Brincalhão, piadista e muito positivo como o aranha, porém desajeitado, tímido na sua vida pessoal, inexperiência é o que pode ser dito sobre este filme. A junção destas características torna o herói em alguém mais humano, mas mundano em relação aos outros grandes heróis que já apareceram.

E o roteiro usa e abusa dessa inexperiência, criando situações em que o herói é praticamente derrotado por si mesmo, justamente por conta de não prestar atenção em seus próprios movimentos. Porém, isto não tira o brilhantismo dos vilões (Um dos mais consistentemente criados pela Marvel) . Com motivações plausíveis e profundas, é até entendível e plausível o jeito que se inicia a carreira de vilania da gangue. E mais, a Casa das Ideias dá um show em como colocar 3 vilões no mesmo filme e fazer eles funcionarem do jeito correto.

Outro ponto importante do roteiro é como ele utiliza o colégio como um inimigo/aliado. Horas ele atrapalha a vida do herói, criando os problemas mundanos que ele precisa tirar de letra, hora ela fornece as ferramentas necessárias para que ele consiga seguir em frente e resolver suas missões. Todos os personagens ali funcionam muito bem, com destaque para Ned (Jacob Batalon), o amigo nerd e alívio cômico do herói, e Michele (Zendaya), que tem participações pontuais, mas muito divertidas.

O resto do elenco também manda muito bem em seus papéis. Michael Keaton, por exemplo, está bem confortável em seu terceiro personagem alado como o Abutre, assim como seus asseclas. E, para quem ficou com medo dos cartazes, pode ficar tranquilo. Suas participações são muito pontuais e cirúrgicas, sendo apenas um mote para o filme e um meio de motivação para o cabeça de teia seguir lutando e descobrir quem é.

Porém, mesmo com um film tão bom, há alguns pontos baixos que precisam ser elencados. Como as cenas de ação. Elas são boas, mas aparentam uma má construção e até uma pequenas falta de engenhosidade, porém, elas podem ser até perdoáveis, uma vez que é um filme de formação de um herói, então ele não tem todos os conhecimentos de um herói mais completo.

Dizem que a terceira vez é sempre a melhor. E é o que acontece com Homem-Aranha. Sem tirar méritos de seus antecessores, este é o melhor Cabeça de teia que apareceu nos cinemas. Um herói equilibrado entre o novo e o velho, se tornando perfeito para todos os tipos de fãs. Voltar para casa nunca fez tão bem para alguém.

Wagner Junior é jornalista, publicitário e nerd nas horas vagas e não vagas. Escreve a coluna de cinema com críticas e filmes antigos aqui no Pacóvios e é um dos redatores do Planeta Queijo, onde fala de animes, mangás e muito mais. E está esperando a Fox mandar um acordinho aí também (Vai Fox, não custa nada).