Quarto filme do Universo Cinematográfico da DC e primeiro filme de herói com protagonista feminina, Mulher Maravilha chegou aos cinemas no dia primeiro de Junho com duas missões muito importantes:

Colocar o Universo da DC para funcionar e, finalmente, decolar, além de vencer a barreira hollywoodiana de filmes de heróis com mulheres protagonistas não conseguem fazer sucesso. E consegue se dar bem nas duas.

 

O filme conta a história de Diana Prince e seu início da carreira heróica durante a Primeira Guerra Mundial, antes apresentada em Batman v Superman. Somos apresentados a uma pequena Diana, que cresce ouvindo as grandiosas histórias das amazonas e de como elas foram criadas para proteger os humanos. Tudo muda com a chegada do piloto Steve Trevor, que se acidenta e cai na ilha Temiscira, trazendo a notícia de que o mundo se encontra em guerra.

Como disse antes, este filme tinha duas missões cruciais para a Warner/DC: Colocar o Universo DC para funcionar finalmente, e colocar os filmes com protagonistas de minorias em alta. E, podemos dizer que, ele faz estas duas funções muito bem. Contido em si, com uma história bem fechada, Mulher Maravilha acerta em querer, mais do que os outros apenas contar uma boa história.

Como uma boa história de origem, o filme mostra uma ingenuidade interessante vinda da personagem principal para com a sua auto infligida missão, contrastando com a verdade e os diversos tons de cinza que podem ser encontrados em uma guerra. É nítido o desenvolvimento da personalidade da personagem principal durante esta incursão contra o “mal eterno”.

Os personagens também se tornam muito interessantes, tanto do lado das amazonas, quanto dos participantes da guerra. A imponência das amazonas e suas altas técnicas de luta se demonstram próximas aos deuses e arrepiam a cada momento. Assim como sua liberdade e quantidade de conhecimentos, que as mantém uma sociedade funcional e, praticamente, perfeita. Assim como a Londres e seus contornos cinzas, que trazem a sociedade tão patriarcal e retrógrada, justamente por falta de conhecimento e informações.

 

Gal Gadot consegue carregar muito bem o papel que lhe foi destaque em BvS. Tanto fisicamente, quanto emocionalmente, você consegue se importar com cada momento e se arrepia com cada batida de cabelo após os golpes. Você realmente sai do cinema achando que ela consegue levantar um tanque.

Outro que merece destaque é Chris Pine, que entrega um Steve Trevor divertido, inteligente e sempre dividido entre acreditar ou não no que a Mulher Maravilha pode fazer. A química entre os dois é perfeita e carrega o filme com uma verdade e uma beleza ímpar. Seus outros companions durante a guerra também são muito importantes. Divertidos e caricatos, eles demonstram a variedade de traumas que a guerra pode produzir, mesmo com um menor tempo para o desenvolvimento.

E tudo isso pode ser visto por meio da fotografia do filme, é extremamente incrível como ela vai acompanhando a jornada de Diana, começando pela ilha das amazonas, que se mostra muito colorida e vívida e vai se transformando em cinza durante a jornada até a guerra. É primoroso como ela vai acompanhando as ações durante o filme todo. Outro ponto incrível do filme é como ele levanta as bandeiras, sem precisar se definir. E não é só do feminismo, mas também bandeiras de outras minorias, como as étnicas.

 

Claro que o filme não é completamente perfeito. Há alguns problemas de furos no roteiro, além de algumas utilizações técnicas que são utilizadas demais. Um dos pontos mais fracos para mim é a utilização da câmera lenta. Não que ela seja utilizada errada. Aliás ela é muito bem empregada nos momentos certos. O problema fica nas lutas. A diretora Patty Jenkins utiliza o recurso muitas vezes, quebrando o ritmo da ação.

Outro ponto é o desenvolvimento dos vilões. Mesmo sendo uma história de origem, e sabendo o que as histórias de origem são geralmente voltadas para o grande desenvolvimento, eu gostaria de ter entendido mais da motivação do vilão. Porém, nada tenho contra as atuações. Danny Huston e Elena Anaya estão maravilhosos nos papéis do General Ludendorf e da Dra. Veneno (Destaque para a cena genial, que parece tirada de um seriado do Batman dos anos 60, e não estou brincando, achei genial mesmo).

 

Enfim, depois de três filmes com mais dúvidas do que acertos, finalmente a DC acertou a mão e conseguiu fazer algo interessante, divertido, emocionante, do jeito que seus heróis merecem. Finalmente, o primeiro passo foi dado. E os horizontes da DC nunca foram tão brilhantes.

 

Wags Junior é jornalista, publicitário e tá com esperança na DC de novo.