Nosso amigo Wagner Emerich Jr. assistiu Power Rangers  no cinema e nos conta sua crítica sobre o novo filme da franquia:

Antes de mais nada, preciso deixar algo muito claro aqui para vocês, eu sou muito fã da franquia Power Rangers. Sempre tentei acompanhar o máximo das temporadas possível. Claro que as mais atuais, não consigo com tanto afinco, devido a vida corrida e ao excesso das também maravilhosas, séries de heróis que acabaram tomando mais a minha atenção.

E posso até dizer que minha empatia pela saga é bem grande, já que acompanhei a série até a temporada SPD. Então já é imaginável o meu misto de expectativa e medo quando vi as primeiras notícias sobre o reboot cinematográfico da série clássica. Porém, se tem uma coisa que a vida me ensinou é a ter paciência e não julgar as coisas precipitadamente.

Baseada nos Super Sentai japoneses, Power Rangers é uma série de 1993 que mostra as aventuras de cinco jovens de atitude que são recrutados pelo ser interdimensional Zordon para combater as ameaças da Bruxa espacial Rita Repulsa e seus asseclas, junto de seu fiel robô Alpha e seus Zords poderosos.

Seguindo esta premissa básica que chegamos a história desse novo reboot, mas com um visual totalmente remodelado e adequado aos novos tempos. E, qual foi a minha impressão sobre isso? A melhor possível.

O começo

O filme começa em um prólogo, mostrando a terra há 65 milhões de anos, durante o período em que os dinossauros andavam sozinhos na terra. Aqui, somos apresentados aos Power Rangers da geração anterior. Ou o que sobrou deles, já que eles foram derrotados em uma grande guerra. Com isso, o Ranger Vermelho anterior recolhe e enterra as moedas do poder, esperando que o próximo grupo de escolhidos enfrente o mal que os destruiu.

Então há um salto no tempo para os dias atuais e somos apresentados aos cinco jovens que se tornarão os próximos Rangers. E, nesse ponto, que já podemos ver as diferenças entre a série clássica e a nova roupagem. Antes eles eram jovens legais e politicamente corretos. Agora eles são verossímeis e muito mais adaptados a realidade em que vivemos. Cada um deles tem problemas de tamanhos diferentes, mas que se encaixam muito bem entre si.

Neste ponto, é difícil não comparar o que o roteiro faz com o clássico Clube dos Cinco. Claro que Power Rangers não faz nenhuma menção em ser um grande filme como o já mencionado, mas faz a lição de casa criando personalidade plausíveis e até bem construídas de cada um dos heróis.

Dois exemplos importantes são Trini (Becky G), muito reservada, vai revelando nas entrelinhas seu maior segredo, e Billy (RJ Cyler), o super animado e divertido Ranger Azul que, além de ser o clássico garoto inteligente, ainda tem um tipo de autismo que rende situações inconvenientes, e que também o transforma no mais carismático membro da equipe. É muito bom ver personas tão diferentes se entrosarem tão bem.

(Elenco de Power Rangers antes da transformação)

Problemas no paraíso (Ou na Alameda dos Anjos)

No entanto, nem tudo são flores. E o grande problema é o ritmo do filme. Ele fica preso em querer mostrar todo esse lado social com perfeição, esquecendo um pouco da fonte principal do material.

Eu geralmente não tenho problema com o ritmo do filme. Mas para quem está esperando muito mais Power Rangers, pode ficar um pouco cansado com o que é imposto na tela. A mudança entre divertido e engraçado para sério e sombrio com uma velocidade que pode incomodar alguns espectadores.

Porém, aqui entra a reflexão. A série é uma série galhofa, descompromissada, divertida, não se prendendo a nada. E o filme consegue unir bem as loucuras com um tom mais sério, mesmo que com os problemas apresentados acima.

Um bom exemplo, é a construção da Rita Repulsa, feita pela Elizabeth Banks. Com uma interpretação altamente exagerada com caras e bocas, além de muito canastronas, ela consegue chegar em um patamar desejado para a vilã, que brinca com a personalidade antiga, trazendo um frescor para a personagem.

(Elizabeth Banks como Rita Repulsa)

Enfim, Power Rangers não é uma obra prima ou um filme de Oscar. Não há um plot profundo demais, nem uma grande produção. Porém é um filme que acerta em não se levar a sério, acertando nos pontos que agradam o espectador comum e aquecem o coraçãozinho dos fãs. E que venham muitos mais.

(Elenco de Power Ranger transformados)

 – Wags Junior é jornalista, publicitário e Power Ranger nas horas vagas.