Hoje na coluna de Daniel Ferraz, editor do Crocante///: Ritmos populares não vão estragar a comemoração de Carnaval.

Por: danielmferraz

Estava eu nas minhas merecidas férias numa cidadezinha perto de Manaus e estava convicto que conseguiria me desligar um pouco desse meu mundinho e ficar longe das minhas infinitas discussões sobre música. Mas percebi que elas me perseguem.

Quando se está quilômetros adentro do Rio Negro, você pensa que está a salvo, mas eu tive a capacidade de discutir com um pessoal, com idade similar a minha, que estavam no mesmo grupo turístico e a maioria era do sudeste do Brasil.

Eles estavam reclamando porque um deles leu que “O arrocha será o ritmo do Carnaval 2017” e que não iriam conseguir suportar tal “barbaridade sonora”. O que eles queriam era que só tivesse as marchinhas clássicas de carnaval como: “Mamãe eu Quero”, “Olha a Cabeleira do Zezé”, “Pastorinhas”, entre muitas outras. Nada contra marchinhas, eu adoro. Mas por que os ritmos novos e populares vão estragar o carnaval?

Esse sentimento de preciosismo musical é que trava a curtição da festa, poxa. Se essa pessoa que gosta de marchinhas e pensa que assim que tem que ser, vivesse no começo do século passado, certeza que acharia as marchinhas carnavalescas zuadassas e iria querer ouvir valsa.

Ritmos como o funk, arrocha, axé entre tantos outros não são elitistas, qualquer um faz seu som. Principalmente o funk que é totalmente democrático, você não precisa ter estudo teórico pra fazer, por consequência, muda a vida de muita gente.

Se você impor determinadas barreiras pra cultura talvez tenha mais qualidade técnica e letras mais rebuscadas, mas só um grupo minúsculo iria participar disso. Pra mim cultura não dá pra controlar, se desse, seria chato pra caramba, moro? Beijão e é nóis, acesse o Podcast Crocante///.

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