Hoje, na coluna de Daniel Ferraz, editor do Podcast Crocante//: Novo disco do Dirty Projectors é a prova de que corações partidos são a maior fonte de inspiração.

Por: danielmferraz

No dia 24 de fevereiro de 2017 saiu o novo disco do Dirty Projectors, que olha meu amigo, tá lindo. O multi-instrumentista David Longstreth só lançou este trabalho após cinco anos do último disco, o Swing Lo Magellan, e isso deixou um grande ponto de interrogação na cabeça dos fãs da banda porque as integrantes Angel Deradoorian, com suas linhas vocais marcantes, e Amber Coffman, essa que teve um relacionamento duradouro com David Longstreth, saíram da banda, e ainda por cima Amber e David terminaram o namoro. Por isso ele se viu completamente sozinho para este trabalho do Dirty Projectors.

O disco circunda temas como: amor, corações partidos, desespero e liberação. E pela primeira vez você vê o Dirty Projectors praticamente sem presenças femininas, com exceção da faixa “Cool Your Heart” que tem a participação da cantora Dawn Richard.

A inspiração de David para esse disco foge do lugar comum do Dirty Projectors, recheado de samples e um ar de Hip Hop com R&B, a banda deixa o indie, que para ele já não tem tanta força como teve na década passada. Mas mesmo com melodias voltadas para o Hip Hop, ele não repete a sonoridade de arranjos que foram tocados ao extremo na rádio esse ano, como são vistas em músicas dos artistas: Drake e The Weeknd.

Mas o mais importante é a sensação que Longstreth passa no álbum, que é esse impulso de superar algo tão lindo e destruidor que é o amor. Corações partidos nos fazem crescer e também descobrir a nós mesmos. E ainda transportar toda essa sensação para um disco é algo fantástico, com certeza é a maior catarse que alguém pode ter nessa situação.

Uma obra artística traz uma satisfação duradoura, coisa que álcool e drogas não conseguem fazer. Tenho um grande respeito por ele ter feito um disco moderno, melancólico e dançante com essa temática que nunca ficará velha.

Ouça o novo disco do Dirty Pojectors:

Pacóvios: Cultura independente de tudo.