Robert Crumb para alguns é um gênio, para outros um pervertido fanático por mulheres monstruosas e quando digo monstruosas me refiro ao aspecto colossal que ele adora ilustrar, odiados por uns, amados por outros, mas há algo que não pode se negar: Crumb é percursor dos quadrinhos undergrounds e subversivos, prepare-se para entrar na cabeça de um maníaco sexual que praticamente desenha com a cabeça de baixo sem perder o teor crítico.

Crumb

Sejamos sinceros, quem não gostaria de uma mulher assim?

Crumb explodiu nos anos sessenta, no final para ser mais exato, junto com o movimento hippie e toda aquela energia em favor do “amor”, amor esse que talvez ele tenha interpretado de maneira diferente. Pelo bem ou pelo mal foi ali o início de sua trajetória e se não fosse por essas circunstâncias talvez seu conteúdo ácido e de difícil ingestão não tivesse o alcance que teve, Crumb é ousado, um verdadeiro filho da puta! Sim, um filho da puta bastardo cheio de problemas mentais, Freud explica? Olha… Acho que não.

Crumb

Oficialmente Crumb começou como qualquer bom quadrinista deve começar, saiu oferecendo seu trabalho de porta em porta com sua mulher grávida e um carrinho de bebê de onde ele tirava as revistas, bebês perversos recém-criados exclusivamente por ele, cômico não? A Zap Comix (sim, com x) foi a revista que fundou, estabeleceu e norteou os quadrinhos undergrounds nos Estados Unidos, dá para imaginar o que é fazer tal coisa? A Zap veio em resposta a um lancezinho chamado Comics Code Authority, algo como um código regulamentador dos “bons” e velhos costumes e todo aquele blá blá blá conservador diante dos quadrinhos. Existe algumas compilações tiradas da própria Zap que saíram por aqui nas terras tupiniquins, tais como: Meus Problemas com as Mulheres e Minha Vida, tirando essas tem bastante coisa dele publicada por aqui, leitor, vai por mim.

Crumb Woman

Aline Kominsky Crumb, companheira, esposa e quadrinista.

Uma das coisas mais interessantes que não posso deixar de citar aqui é sua relação com a música, Crumb adora blues, tendo até uma obra em homenagem com o mesmo nome retratando a trajetória de alguns bluesmens e a luta diante da repressão contra o estilo, além disso foi amigo pessoal de Janis Joplin, relação essa que resultou em algumas ilustrações e até mesmo na capa de Cheap Thrills, o segundo álbum da cantora que provavelmente você já a viu e ouviu.

Crumb

Que trabalho, cara… Que trabalho!

Concorda comigo que é impossível ilustrar e escrever “absurdos” desse tipo e não receber ressalvas? É… Crumb coleciona críticas das quais qualquer um não se orgulharia de ter principalmente pelo seu retratar feminino em suas obras, ele é culpado! Culpado por ser fissurado por mulher, por suas formas e se você por acaso tende a se relacionar com tais acredito que muitas das coisas ilustradas por ele já passaram ou vão passar por sua cabeça, a única diferença é que ele externa isso com seu dom.

Crumb

R. Crumb e sua mulher Aline Kominsky Crumb.

Um quadrinista para poucos, para os pervertidos e para os descrentes em tudo, com ele se aprende que não deve haver dogmas no íntimo, que não deve haver pudor no prazer e essa é a beleza na podridão de Crumb, e a todo moralista que pretende adentrar nesse universo caótico: Se perdoe caso surja uma ereção aqui ou ali na viagem, é só finja que não aconteceu.

Crumb

Até mais!