Banda Capitão Nemo fala sobre seu primeiro disco, o “Bon Voyage”. Confira aqui na íntegra.

No meio de junho a banda Capitão Nemo, divulgou o lançamento de seu primeiro disco. Intitulado como “Bon Voyage” o álbum que mistura o rock simples com o indie e o alternativo que nós já estamos habituados a ouvir.

Conversamos com eles sobre esse trampo, se liga:

Capa de “Bon Voyage” – Capitão Nemo.

Pacóvios – Fala, pessoal! Sejam bem vindos ao Pacóvios. Hoje vamos abrir aqui um espaço pra vocês falarem um pouco sobre a banda e o disco que vocês acabaram de lançar, o “Bon Voyage”. Pra gente começar nosso papo, comentem um pouco de como surgiu a banda e como vocês cinco se conheceram?   

Capitão Nemo: Primeiramente, é um grande prazer poder compartilhar desta conquista com Pacóvios, tudo do bom e do melhor a todos ( 🙂 ). Então… A banda existia anos antes com o nome de FoxTroT, sendo Bruno Razera responsável pelos vocais e Denis Floriano o guitarrista com outro baterista e baixista. Em meio as noites nos bares piracicabanos (e te garanto que rolava muito mais doideira do que o termo sugere…) o vocalista Razera acabou esbarrando em um novo guitarrista, era Matheus Fagionato com quem partilhou das mesmas ideias musicais. Em pouco tempo a vaga de baixista estava aberta e foi Caio Mendes, amigo do novo “foxtrotiano” Fagionato, que assumiu o posto. Tempos depois , por escolha unanime (sério… todos nós conhecíamos esse cara), Otavio Bacchin se tornou o baterista da banda

Com o passar do tempo nos cinco, em meio a momentos de amizade e desavenças, fazíamos muitos shows juntos, saiamos em muitos roles juntos e fazíamos muito rock’n roll juntos. Muitas mudanças ocorreram ao longo de 1 ano de trabalho intenso e varias emoções, estávamos com um CD que acreditávamos estar sensacional, era palpável como tudo estava diferentes…  Foi com Capitão Nemo que conseguimos sintetizar todas essas novas ideias, nossos sentimentos.

Pacóvios – Meu, o nome da banda faz referencia à um personagem fictício, né? O Capitão Nemo era maior inimigo do detetive Sherlock Holmes. Que ideia é essa de fazer menção a um inimigo?

Capitão Nemo:Depende de que Lado Quer Olhar” (adoro referências… ). O que nos fez escolher o nome Capitão Nemo foi sua história em si. Um homem, que desapontado com as injustiças vigentes em sua época, decide usar de seu conhecimento tecnológico para construir o submarino autônomo Nautilus e fugir para o fundo do mar onde construiria uma nova sociedade que ele acreditava ser mais justa, desvinculada das nações da superfície. É isso que tentamos fazer, só que com nosso conhecimento musical. A palavra-chave é fuga, se preferir …. liberdade.

Pacóvios – No “Bon Voyage” vocês apresentam uma arte gráfica muito foda, quem é o artista por trás desse trabalho? Como isso conversa com o som de vocês?

Capitão Nemo: O artista responsável foi Leonardo Freschi. A estética de um álbum deve seguir aa primícias de tornar o som palpável. Por sorte seu estilo artístico de Freschi combinava e muito com nosso estilo musical. Com um prazo apertado para o lançamento, demos liberdade para a produção de arte, com algumas ideias nossas, é claro. Por consenso, a dama na capa seria a filha do Capitão Nemo que foi morta, uma das muitas decepções que incentivou sua fuga. A rigor, quando você acompanha a arte no CD, seria uma ideia, talvez até um espirito,(a dama na capa) que incentiva o barquinho de papel(já dentro do álbum) a chegar no tesouro (o CD em si), frente as adversidades, representada pelo monstro mitológico o Kraken, ideia do baixista Caio Mendes.

Pacóvios – Primeiramente, achei o som de vocês um rock assim bem simples, meio que misturado com o alternativo e o indie, o resultado é algo gostoso de escutar. Quando entraram em estúdio vocês tinha a vontade de fazer um disco assim ou acabou surgindo naturalmente?

Capitão Nemo: A única certeza que tínhamos quando começamos a produção de Bon Voyage, era que queríamos um álbum com 10 músicas. Na época tivemos a oportunidade de fazer um show no SESC Piracicaba onde teríamos que fazer por volta de 45 minutos de musicas autorais, coisa que não tínhamos até então. Com o curto prazo, começamos a trabalhar intensamente nas composições “Foxtrotianas” (lembrando que, na época banda tinha outro nome) de Bruno Razera e Denis Floriano. Outro ponto chave para entender nosso som, foi a pré-produção do disco com Claudio Sanches Vicente, para os íntimos Formiga. Foi ele responsável por rearranjos e backing vocals dentro de várias músicas, além da produção quase que exclusiva da música Nemo. Ele foi um professor para nós, pode se dizer que ele nos ensinou como se deve gravar um álbum e pode ter certeza que aprendemos (kkk). Eu poderia escrever um livro de como esse CD foi feito e te garanto que a variedade de mudanças e influencias dentro dele conseguem ir além do surpreendente.                           “

Pacóvios – Tem também uma parada meio critica social nas letras de vocês. Qual a importância de falarem sobre esses assuntos?

Capitão Nemo: Nós buscamos falar de tudo, nosso álbum é bem heterogêneo. A grande ideia que permite entender nossa obra, é a ideia de liberdade em suas variantes mais pertinentes. Ao mesmo tempo em que temos um álbum com Mais Valia, uma música com temas políticos, mais pesada e que procura criticar o plural, temos Quero Sim uma música que procura fazer uma crítica mais particular frente a sociedade.                     “

Pacóvios – Vocês são em cinco, como fazem para alinhas as influencias? Cada um escuta uma coisa diferente? Como é isso?

Capitão Nemo: Com tanto tempo que passamos juntos, seria impossível não partilhar de um gosto musical similar porem, cada um tem seus artistas preferidos e sua forma de ouvir música. Não é algo exatamente bom, pois muitas vezes passamos por desentendimentos quanto a sonoridade e formato. Por sorte contamos com um sexto elemento na banda, a pré-produção de Claudio “Formiga” Vicente tornou mais nítido os caminhos que iriamos tomar mas tudo SEMPRE a favor da música, nunca a favor do musico.            “

Pacóvios – Pessoal, obrigado por toparem esta entrevista. Agora, pra finalizar o nosso papo, peço para que vocês deixem um recado para o público que leu a nossa entrevista.

Capitão Nemo: Diretamente do fundo do mar… Finalmente temos o prazer de apresentar Bon Voyage, o álbum que leva o que acreditamos ser o melhor de nós. Para você que procura um PseudoAlgum Lugar para fugir ou a empatia entre vários Joe’s, Nemo tem a solução e a alternativa de ser um Otário ou Visionário . Não existem palavras que consigam expressar nossa gratidão frente a todo o apoio que temos recebido e para todos, desejamos uma Boa Viagem”.

Ouça: Capitão Nemo – “Bon Voyage”