Em nova fase, Edu K lança EP “Lipstick Jungle” e promete lambuzar o país todo de gloss. Saiba mais em entrevista exclusiva.

Edu K é o verdadeiro camaleão da música nacional. Seu nome ficou conhecido do publico em geral no ano de 1985, quando a coletânea “Rock Grande do Sul” incluiu “Você Me Disse” e “Instinto Animal”, primeiros singles do DeFalla ao lado de hits de bandas como Engenheiros do Hawaii, TNT, Garotos da Rua e Os Replicantes, nos anos seguintes a banda lançou álbuns importantes e incompreendidos, dentre eles o idolatrado “Papaparty” (1987) e o criticado “Miami Rock” (2000).

Em carreira solo estreou em 1995, com o disco “Meu Nome é Edu K”, um álbum cheio de experimentações, samples e egocentrismo. Algo que sempre marcou os lançamentos de sua vida são as mudanças radicais de Edu K, tanto visualmente quanto sonoramente ele já apostou no rock, no funk, já foi gótico, Boy Lixo, fazendeiro e jurado.

Agora o multifacetado Eduardo Dorneles se reinventa dentro de suas próprias identidades e influencias. Dessa última batida saiu um milk-shake delicioso chamado “Lipstick Jungle” (180 Selo Fonográfico), onde Edu mistura David Bowie, RuPaul, Elke Maravilha, Ney Matogrosso e mais uma pitada de deboche (Mode), pra dar a singularidade e ousadia que só ele tem.

Conversamos com Edu K sobre “Lipstick Jungle”, 180 Selo Fonográfico, tour e influencias, confira:

Foto: Fabio Alt.

Porra, Edu! Foda ter você por aqui pra bater um papo sobre o seu novo trabalho. Conta um pouco sobre o surgimento do EP “Lipstick Jungle”?

Edu K: Dale! Eu que agradeço, parce! O Lipstick Jungle é filho de um monte de mãe por ai, haha. O fim do Defalla e a crise do país foram as verdadeiras mães da oportunidade, nesse caso: Depois que eu torrei toda a grana que ganhei na Fazenda e minha carreira de sub-celeb da tv não deslanchou, tive que vazar de SP, onde já estava até passando fome haha – pra quem não é do planeta, ou vive numa bolha de plástico com uma colher de ouro enfiada na boca, o Brasil pós impeachment é broca!

Por um tempo me escapei pra Ilha dos Piratas, a Ilha da Farra, Floripa. Mas, por A mais B, acabei tendo que me jogar de lá, de volta pra Porto Alegre, mais exatamente pra casa dos meus pais. Eu já andava de saco cheio, desde a derrocada do Monstro, pra mim, um dos melhores discos do Defalla, devido ao turbilhão pré e pós impeachment já citado e pra completar, com o naufrágio da minha nova persona, o DJ/Rapper/Produtor, Tiger Blood, uma espécie de guru do dancehall, reggeaton, digi-cumbia e latinidades muderrrrnas em geral, que afundou no Atlântico, cheguei na casa da mama decidido a, mais uma vez, desistir de tudo, e como Renton, “choose life”.

Mas, quem me escolheu foi essa vida, não fui eu que a escolhi… entaãaoooo, um grande amigo e parceiro de milliumas, o cara que estava junto quando fiz “Popozuda”, “Amanda” e tantas outras aventuras, o Z, eterno baixista e agitador do Defalla, me chamou pra morar com ele, no Bairro Bom Fim, berço do meu berço, a Osvaldo Aranha. Na real, papo vem, papo vai, o plano dele era que eu tocasse guitarra na nova banda do legendário Eduardo Branca, guitarrista porto-alegrense que fundou as bandas M-16 e Pupilas Dilatadas, a Santíssima Trindade.

Mais rápido do que um solo do Kerry King, quando vi já estava fazendo o primeiro show da banda, de volta ao meu instrumento original (nunca fui vocalista, sou guitarrista. Mas, acho que o fato de eu não ser um babaca egocêntrico já deixa isso bem claro, né? Mentira, egocêntrico eu sou, haha) e fazendo planos para dominação mundial novamente.

Assim entra em cena o Lipstick Jungle, EP q foi 109% inspirado pela retomada da minha eterna obsessão com o Bowie e o glitter/glam de 72/73 da Inglaterra – passei uns 2 meses só lendo livros e mais livros sobre o Bowie e sobre a cena Glam e escutando tudo, do Hunky Dory aos Bay City Rollers, haha – e o fantástico pancadão do Glam Stomp!

Pacóvios – Alias, o nome me lembrou duma série americana, exibida no final dos anos 2000, foi dai que você tirou a ideia?

Edu K: Na verdade não, o nome vem de uma frase dita pela RuPaul no RuPaul’s Drag Race. A RuPaul é a outra grande influencia do disco (e da minha carreira, em geral, já que sempre fui mega fã dela, desde a época da cena club kid de NYC, dos anos 80/90), que chegou lá pela metade do processo, fazendo a ponte do glitter do Bowie dos 70 com o universo drag atual.

Pacóvios – Uma das paradas legais de “Lipstick Jungle” é você performando como drag queen, quando surgiu isso na sua vida?

Edu K: Eu sempre me maquiei, pintei as unhas, usei roupas femininas, mas, apesar de ser um elemento sempre presente, nunca tinha me aprofundado tanto no universo drag como agora!

E tô 100% APX! O make up é uma experiência zen pra mim, e me ensinou MUITO sobre autoestima! Passei a me amar depois do primeiro beat! E a cada mug me amo mais e mais! Eu também sempre usei meu corpo como canvas, minha vida, meu corpo, é minha obra: a música é secundaria, e sempre foi.

Pacóvios – Quais nomes você cita como influencias para esta nova fase da sua carreira? Por que foram tão importantes?

Edu K: Bowie, Bolan, RuPaul, Duran Duran, Scott Weiland, As VikKings, Sharon Needles, Adore Delano, Stanley Kubrik, Laganja Estranja, Milk, Kimora Blac, Hunther S. Thompson, Ney Matogrosso, Dzi Croquetes, Gary Glitter e Marilyn Manson. Todos são muito importantes pois deram o tom e alguma direção, sonora e estética, pro Lipstick Jungle. Eu gosto de ficar imerso no universo mágico da criação e, nessa viagem, estes foram meus parceiros da vez.

Pacóvios – Acompanhando tua carreira já consigo imaginar uma resposta, mas, como entrevistador tenho que te perguntar. Como é lidar com os comentários que a galera faz?

Edu K: É fácil: Eu cago e ando, apenas, haha! Eu sempre fiz pra mim, não faço pros outros! 😛 Como diz o Sheldon, “i don’t need validation from lesser minds” hahahahhaha

(yeah, i’m a shady bitch, i know haha).

Pacóvios – “Lipstick Jungle” saiu no começo de setembro pelo Selo180, como é a parceria?

Edu K: O Selo 180 é apenas o melhor, mais fodão e mais amado selo do país e é um prazer trabalhar com o Garras: Só o fato dele gostar do EP e pilhar de lançar já me fez ganhar o dia!

No inicio de setembro o EP saiu em todas as plataformas digitais, mas logo menos trabalharemos com CD, vinil, K7, a poha toda.

Pacóvios – A tour tem planos de vir para São Paulo?

Edu K: Certeza, manow! A Lipstick Jungle Tour vai lambuzar o país todo de gloss, e SP está mega na mira! Tô devendo uns rolex montado com umas mygas 1000° dae! Vamo daaale!

Pacóvios – Você participou do reality show A Fazenda, a experiência foi positiva? Toparia participar novamente?

Edu K: Maaa certo que ia de novo! Eu adorei a experiência! Se me chamam vou na hora! Eu curto muito TV e nada chega nem perto do quão loko e gigantesco é participar de um reality desse tipo.

Mas, meu namoro com a tv apenas começou (depois dos realities Breakout Brasil, da Sony e A Fazenda, da Record), agora tô com um programa novo que se chama “O Jardim Elétrico De Edu K”, onde viajo pelo país todo mostrando de tudo um pouco, através do meu prisma psicodelicão haha. Acabamos de gravar o piloto, logo tá no ar, mas ainda não sei em que canal.

Veremos!

Pacóvios – Como de costume, a última pergunta é, na verdade, um espaço livre para mensagens. Bora lá Edu K, deixe sua mensagem para o mundo.

Edu K: Meu povo lindsay, vamos se amar, bora transar, bora ser feliz e tocar o horror nessa poha! Nossa época é uma época de mudanças extremas, mas bora fazer essa poha com muita zoera, musica, dança, putarya e amor!

Deixa o ódio de TL do FB em off, e vem dançar pelado no meio do furacão, que somos todos iguais, somos todos gente, somos todos irmãos então, vem cá, bora sarrar!

Ouça: Edu K – “Lipstick Jungle”