Garotas Suecas se prepara para lançar seu terceiro disco, o primeiro com a nova formação. Conversamos com a banda sobre o que está por vir. Confira.

Formada em São Paulo, no ano de 2005, a banda Garotas Suecas experimentou um gostinho do médio mainstream quando lançou o hit “Banho de Bucha”, faixa que pertence ao disco de estreia, o “Escaldante Banda” (2010). Ainda com a formação de quinteto o grupo lançou o álbum “Feras Míticas” (2013).

Após a saída de Guilherme Saldanha a banda continuou firme e forte, se reinventando e experimentando. Na nova fase divulgaram o ep “Mal Educado” (2015), registro que deixa clara a imensa vontade de continuar o projeto, agora como um quarteto.

Na falta de Guilherme Saldanha, todos viraram vocalistas, a formação está assim: Irina Bertolucci (Teclas/Voz), Tomaz Paoliello (Guitarra/Vox), Fernando Freire (Baixo/Voz), Nico Paoliello (Bateria/Voz). Juntos criaram o disco “Futuro do Pretérito”, mantendo a essência que a banda criou, mas abrindo espaço para novas experimentações no rock, funk e soul tropical.

Calma. O álbum ainda não está no mundo, a previsão é que chegue ao streaming ainda essa semana. Enquanto isso, conversamos com a banda! Eles soltam alguns spoilers do que você irá encontrar no mais novo registro, confira com exclusividade.

Garotas Suecas. Foto: Fausto Chermont.

Pacóvios – “Futuro do Pretérito” é o terceiro disco da banda, porém, é o primeiro álbum cheio desde a saída de Guilherme Saldanha. Como foi esse período de reinvenção?

Garotas Suecas: Foi um período importante principalmente para ficarmos seguros com a posição de vocalista, que hoje é ocupada por nós quatro. Desde a saída do Sal, tivemos que nos adaptar a esse novo formato. Primeiro adaptando repertório antigo, para depois começar a produzir material novo para o novo formato. Lançamos em 2015 o EP Mal Educado, com três músicas, cada uma de um autor e com um cantor diferentes. Serviu de ensaio para esse disco, que tem essa cara “descentralizada” de maneira marcante.

Pacóvios – O disco sai pelo selo Freak, como surgiu a parceria de vocês?

Garotas Suecas: O Nico, baterista do Garotas Suecas, é um dos sócios do selo Freak, que envolve uma série de atividades, como o Freak Estudio. Já havíamos feito bastante coisa em parceria com eles, como gravações de singles e de faixas para projetos. Mas essa é a primeira vez que entramos para gravar no novo Freak Estúdio, que ficou incrível. Foi a oportunidade também de produzirmos nosso disco, fruto de um longo aprendizado até aqui.

Pacóvios – Há pouco tempo vocês divulgaram a capa do disco, a arte é um abacaxi bem estiloso, né? Tem algum significado?

Garotas Suecas: Tem diversos significados que só vão fazer sentido de fato acompanhados da música. A explicação mais evidente é o fato de que uma das faixas do disco se chama “Ananás”. Mas achamos que o abacaxi era bastante icônico, e representava outras das coisas que queríamos mostrar. O abacaxi tem uma ambiguidade, ele é agressivo e doce. A nossa opção no disco, por explicitar as contradições, fecha com essa marca. O fato de ser um fruto brasileiro e ter esse caráter “problemático” remete a uma série das questões que tratamos da nossa atualidade. Finalmente, a arte do Bruno Araújo ainda abriu mais uma série de significados. O abacaxi se tornou uma espécie de granada, um coquetel molotov tropical de diversas camadas. Só dápara entender mesmo depois de escutar o disco.

Garotas Suecas. Capa do disco “Futuro do Pretérito”.

Pacóvios – O disco tem participações?

Garotas Suecas: O disco tem diversas participações de músicos da nossa cena, vários que já tinham trabalhado com a gente. As percussões ficaram com nosso amigo e colaborador de longa data, o fera Mateus Prado. Os saxofones também foram feitos por um parceiro antigo, Filipe Nader. As outras participações são por faixas: em Ananás o Tché, do Holger, tocou guitarras e slide. Em “Quarto”, contamos com a participação do André Bruni no órgão, e do Marcelo Lemos na guitarra. Nessa mesma música chamamos um coral para dar um efeito diferente dos nossos vocais mais conhecidos. Finalmente, o Antonio Carvalho, também do Freak, cuidou de várias programações e sintetizadores.

Pacóvios – Eu estive na première de audição do disco, gostei demais! Contem um pouco pro nossos leitores o que eles vão encontrar além dos dois singles já lançados.

Garotas Suecas: Acho que esse disco tem um ar mais tenso, que reflete a situação atual no país. Um ar mais roqueiro do que outros dos nossos trabalhos. Em termos de sonoridade, tem o DNA do Garotas Suecas, mas envolve um tipo de abordagem sonora mais livre, menos referencial. Acho que pela primeira vez fizemos um disco quase sem referências para as músicas. Não significa que não sejam todas cheias de influências e citações, mas surgiram mais organicamente. Tocamos em alguns temas espinhosos e nos posicionamos mais claramente em relação a uma série de questões. Os singles lançados apontam para uma direção diferente de várias músicas do disco, então deve surpreender.

Pacóvios – Como serão os shows pós lançamento de “Futuro do Pretérito”?

Garotas Suecas: Os shows contarão com as músicas novas, que estamos adaptando para o palco, e algumas canções antigas que vamos tentar fazer dialogar com o novo material. Nossos shows atuais já contam com algumas das novas, mas a maioria está guardada para depois do lançamento. Tem algumas surpresas bem legais de arranjo, coisas que nunca fizemos no palco.

Pacóvios – A Garotas Suecas está em atividade desde 2005, já se passou muito tempo. Acredito que isso traga uma grande maturidade para todos vocês. Como vocês enxergam o cenário da música independente atualmente no Brasil?

Tomaz: É complicado falar da nossa própria maturidade…. Acho que uma banda independente está sempre recomeçando porque vive na fronteira, desbravando novos palcos, novos públicos, novas formas de divulgar a música, novas maneiras de gravar etc. É difícil, mas é também um ambiente que permite e exige muita criatividade. Acho heroico alguém pegar uma guitarra e começar uma banda hoje em dia. A cena muda muito rápido, e várias coisas que fazíamos no começo da nossa carreira já não fazem mais sentido.

Então não temos muito o que ensinar em alguns aspectos. Outras coisas mudam menos, e dessas podemos falar melhor. Uma das coisas que certamente acontece depois de um tempo de estrada é essa solidariedade com outros artistas. Mesmo que não seja o som que curtimos, é muito legal ver e aprender como outros trabalham.

Pacóvios – Comentem quais bandas atuais vocês gostam de escutar quando estão com algum tempo livre e até, quem sabe, ir ao show.

Garotas Suecas: Mel Azul, VRUUMM, Carne Doce, Cupin, Holger, Bárbara Eugênia, Rafael Castro, Raça, FingerFingerrr, Circo Motel, Monza, Luiza Lian…

Pacóvios – Pra finalizar, como é de costume aqui no Pacóvios, a última pergunta é um espaço em branco para vocês preencherem com mensagens aos nossos leitores, aos amigos e quem mais possa ler o nosso papo.

Perdido: Uma música boa para se aprender no violão, caso você queira impressionar alguém, serenar pra alguém, treinar seus talentos musicais, treinar seu inglês, desviar um pouco de “Stairway To Heaven” e “Hey Joe” ou até mesmo se você já é músico e procura um bom cover pra fazer é “Dead End Street” do Kinks, surpresas harmônicas de montão e uma melodia bem rítmica e cativante! Outra dica, na verdade é mais um pedido pessoal, se você gostou da dica, não tente puxar as cifras da música na internet logo de cara, tira de ouvido, eu juro que vai valer a pena!

Tomaz: A sensação mais maravilhosa que existe é ir assistir um bom show ao vivo. Antes tem uma expectativa, durante êxtase e depois realização. Quem já sentiu isso sabe do que eu estou falando. Quem não sentiu, devia tentar…. Então o recado é esse: encontrem um lugar que gostam de frequentar com música ao vivo, procurem as bandas que vocês gostam de ouvir e vão. Assistir um show de rock é um ato político. Não existe público sem banda, mas não existe banda sem público.