The Taylors Drummers, o novo projeto do baterista Raul de Paula é pauta de uma entrevista exclusiva.

Após surpreender os fãs anunciando seu afastamento da banda Supercombo, o baterista Raul de Paula deu uma desaparecida e chegou a preocupar aqueles que acompanham de pertinho o seu trabalho. Sem muito alarde ele retorna a ativa com o projeto The Taylors Drummers.

Fomos até o estúdio onde ela anda ensaiando, tocando e se divertindo, o Cardeal 2100, fomos muito bem recebidos, tanto pela equipe que trabalha no local, quanto pelo Raul, que topou falar sobre diversos assuntos de forma bem humorada.

O resultado desse bate papo você confere, com exclusividade, agora:

Raul de Paula, Supercombo, The Taylors Drummers

Foto: Jessica Camargo.

Pacóvios – Raul, nós já sabemos que o projeto The Taylors Drummers, é você e o Gutto Szuster (Vinda), fazendo cover das bateras das bandas que vocês curtem. Mas conta pra gente um pouquinho de como foi a concepção desse projeto.

Raul: Na verdade o projeto surgiu por um acaso, fazia mais ou menos dois meses que não tocava, eu estava viajando. E eu precisava tocar! Tava louco pra tocar numa bateria de verdade, então assim que eu voltei para São Paulo eu vim aqui no Estúdio Cardeal 2100, e aluguei, sei lá, 6hrs de estúdio. Nisso eu convidei o Gutto para vir me encontrar, fazia tempo que eu não via a galera, e ele é um grande amigo e é batera, no tempo que eu dava um descanso ele ia lá e brincava.

E nisso eu trazia câmera pra registrar, acompanhar e ver como eu tava tocando depois de ficar dois meses sem tocar, e a ideia foi surgindo por aí, meio no acaso.

Conversamos mais afundo, sem estar no calor do estúdio e falamos: “vamos criar sim, vamos fazer um instagram, um facebook, chamar os amigos, fazer pra valer e manter a parada”.

A intenção é aprender, praticar, se divertir e sempre que der trazer os amigos pra participar.

Pacóvios – Em que momento vocês decidiram abrir para o público?

Raul: Não tinha o porquê não mostrar. A gente vê muito baterista jovem, querendo tocar (e eu sou jovem também, com um corpinho de ancião e mentalidade de vovô), mas é legal compartilhar isso com a galera. Eu gosto, o Gutto gosta de ver outros bateras tocando, todo baterista gosta. Não só os conhecidos, mas os que não conhecemos também.

Pacóvios – Certamente, você é uma a referência pra galera que toca. É comum muitos fãs te pedirem uma dica e tals. Você pensa em de repente usar esse projeto pra aumentar a sua aproximação com esse público em específico?

Raul: Já aconteceu muito de fã vir perguntar se eu dou aula de bateria. E eu disse que não. Não dou aula de bateria, até porque eu não sei ler partitura, eu toco bateria, porque sei lá, tá no sangue mesmo. Acredito que tem muito baterista aí, que a galera curte e admira que também é assim, toca por alma e não por partitura e coisa teórica.

Eu sou muito próximo dos fãs e às vezes quando tô no estúdio, ou sei lá, tô em casa estudando e recebo uma mensagem, se eu já tô ali pronto até gravo um vídeo e falo “olha eu faço assim, não sei se é bem assim, mas tenta ai cara”. Não é uma coisa que eu faça sempre, mas às vezes rola. Mas eu pretendo vir a dar aula sim, no futuro quando eu tiver paciência e sabedoria.

Pacóvios – Você está trabalhando em mais algum projeto, além desse? Como você cantando ou na guitarra?

Raul: Desde moleque eu componho minhas músicas no violão, faço minhas composições sobre tudo, mil coisas… Esse material eu gravava de todas as maneiras possíveis, forma caseira mesmo. Já tive algumas bandas, a maior parte das letras eram minhas, mas eu sempre fui o baterista.

E dessa vez a galera quer que eu cante (apesar dessa minha voz que caberia bem em um jazz), eles querem que eu cante um grunge com o pessoal do Far From Alaska. Eu não vou deixar de lançar esse disco, não sei quando, mas não vou deixar de lançar isso nem fudendo. Nesse disco eu vou cantar e tocar guitarra.

Raul de Paula, Supercombo, The Taylors Drummers

Foto: Jessica Camargo.

Pacóvios: Sobre o álbum “Rogério”, como foi seu envolvimento no processo de criação?

Raul: Bom, foi muito divertido. Primeiro porque é a melhor banda que eu já trabalhei na minha vida, é tudo gênio. E o Léo é um cara impressionante eu sou muito fã dele. E o tesão da gravação do “Rogério”, assim como foi com o “Amianto”, é você conseguir entrar na loucura do Léo. Ele é aquele cara que todo mundo vê jogando vídeo game e aquelas caretas todas, mas ele é louco, ele realmente é louco. E ele sabe disso.

Assim como eu sou e todo mundo da Supercombo é, mas cada um de um jeito. Ali é todo mundo entrando na loucura do outro, e é muito bom isso, é um aprendizado atrás do outro. É sensacional!

Pacóvios: Hoje, quais têm sido suas maiores influências e o que continua movendo seu desejo de se manter na música?

Raul: Eu toco porque eu amo. Eu toco porque eu realmente não vivo sem tocar. Quanto às influências, fico tocando o “Rogério”, tocando Supercombo, Justin Bieber, e não é mentira porque dá um leque muito grande pra você ficar “fritando” na bateria, o groove é muito bom pra você criar. Fico tocando 2Pac, que eu gosto bastante.

Gosto de tocar hardcore, eu amo fazer cover do Bullet Bune, Motorhead, Rancore, Scalene, Far From Alaska, Inky e pretendo fazer pra publicar no The Taylor. Entre outros…

Pacóvios – Raul, a entrevista chegou ao fim, muito obrigado pela sua participação. Peço que você deixe uma mensagem pra galera que te acompanha e tudo mais.

Raul: É uma responsabilidade muito grande, eu com 29 anos deixar uma mensagem pra uma galera que nem todos eu sei quem são. Mas acho que a melhor mensagem que posso passar é, seja feliz, faça o que você gosta, não deixe ninguém te colocar pra baixo, ou tentar impedir que você corra atrás dos seus sonhos. Nada é impossível! E juízo e cuidado, que a vida é louca.