Quinto álbum de estúdio do grupo Racionais Mc’s completa hoje 13 anos.

No dia 27 de Outubro de 2002, os Racionais Mc’s anunciavam, com o selo da Cosa Nostra e produção em parceria com Zé Gonzales, o seu 5º álbum de estúdio, Nada Como Um Dia Após o Outro Dia.

– Parece que foi ontem! – Disse um amigo quando comentei sobre o tema deste artigo. E realmente, não parece fazer muito tempo desde que todos nós ouvíamos pela primeira vez os hinos que surgiram com essa obra-prima da música nacional.

racionais no ar

A responsabilidade do quarteto era grande, a missão de trazer novidades e superar músicas como “Diário de um detento”, “Capítulo 4 versículo 3” e “Fórmula Mágica da Paz” parecia impossível (Embora “responsabilidade” e “superar”  pareça ser o sobrenome deles e de todos moradores das favelas brasileiras, da mesma forma que “parecia impossível” não está no vocabulário de ambos). Depois de um período de 5 anos sem um álbum novo, sendo o último o aclamado “Sobrevivendo no Inferno“, o grupo composto por Ice Blue, Edi Rock, KL Jay e Mano Brown estava preparado para abalar a música, a crítica e toda população brasileira.

Nada Como Um Dia Após O Outro Dia é composto por dois discos, com 21 músicas no total. 11 no disco I, chamado de “Chora Agora” e 10 no disco II, o “Ri Depois”. Se é que podemos chamar de músicas os gritos de guerra compostos pelo quarteto. O álbum começa com “Sou mais você”, que é uma injeção de ânimo para todo guerreiro do dia a dia. No trecho, que se inicia com barulhos de galos e despertadores anunciando um novo dia, Brown anima o ouvinte, dizendo coisas como “Vamo Acordar” e “você pediu uma oportunidade”.

Depois desse momento eufórico, as favelas do Brasil conhecem em sequencia, três impecáveis sucessos, dignos de todas as premiações da música mundial: Vida Loka I, Nego Drama e A Vítima.

O disco I ainda conta com “Na Fé Firmão”, escrita por Edi Rock, “12 de outubro”, “Eu sou 157”, “A vida é um desafio” e “1 Por Amor, 2 Por Dinheiro”.

edirock

Abrindo o “Ri depois”, Edi Rock compôs “De Volta à Cena”, “Otus 500” e “Crime Vai e Vem”, a última ainda hoje conhecida como uma das melhores letras do cantor e compositor.

Mano Brown carregou o peso de falar a frase do nome dos dois discos em “Jesus Chorou”. A música começa sem batidas, com Brown recitando versos secos, tristes e emocionantes, que terminam com a frase “Chora agora, ri depois… Aí, Jesus Chorou”.

Depois de mais uma intro, chamada “Fone”, o disco entra em seu momento final, com “Estilo Cachorro”, “Expresso da Meia-Noite” e “ Trutas e Quebradas”, além de mais dois hinos, que até hoje ouvimos estralando os sons dos carros na madrugada da quebrada, Vida Loka II e o que fechou o segundo disco, Da Ponte Pra Cá, que exalta a vida do morador do Capão Redondo e as mudanças no cenário periférico brasileiro.

Nada Como Um dia Após O Outro Dia surpreendeu também pelos samplers (Nome dado as batidas adquiridas de outras músicas, no Rap é considerado quase que uma homenagem aos artistas). Algumas das principais batidas vieram de nada mais nada menos que Cassiano, Marvin Gaye, Tribunal Popular, 509-E, Almir Guineto e de músicas de discos anteriores dos próprios Racionais. Mandando um recado pros “Mente Fechada” para que ouçam de tudo e busquem o melhor de cada música, cantor ou banda.

racionais nada como um dia após o outro dia

O álbum duplo ficou “apenas” como o 88º maior disco brasileiro de todos os tempos pela Revista Rolling Stones Brasil.  E quando digo apenas é porque acredito que ele poderia ser mais bem colocado pelos “especialistas”, mas não deixa de ser um ótimo resultado pro Rap nacional. Vale ressaltar que o disco anterior “Sobrevivendo no Inferno” Ficou com a 14ª posição no mesmo ranking.

Quer reviver os bons tempos e relembrar as músicas que marcaram a década passada? Aproveita que o Spotify adicionou recentemente o grupo em seu aplicativo e ouça abaixo Nada Como Um dia Após o Outro Dia, disco que revolucionou a música brasileira!