Um dos nomes mais promissores da música nacional, Júlio Barroso teve sua jornada interrompida em 1984.

“A loucura é tão clara, quanto o escuro da lucidez”, cantou um dos melhores amigos de Júlio Barroso, o Lobão, em 1984 quando lançou a faixa “Abalado”, presente no disco “Ronaldo Foi pra Guerra”. Não sei ao certo se a frase era uma homenagem ao grande amigo ou não, mas que serve como um bom começo para descrever a vida de Julio Barroso, não resta dúvidas.

Mais conhecido por seu trabalho ao lado do grupo Gang 90 e as Absurdettes, Júlio Barroso nasceu no Rio de Janeiro em 1953 e tinha a alma dos dois cariocas, o da zona sul e o da zona norte, isso lhe permitia vivenciar mais experiências em seus grupos de amigos, pelos mais diversos cantos da cidade maravilhosa.

Ao longo de sua vida foi jornalista – esteve a frente do editorial Música do Planeta Terra, que infelizmente durou pouquíssimo tempo e contou com raras impressões –, compositor – dentre suas composições mais famosas estão parcerias com Guilherme Arantes em “Perdidos na Selva” e com Lobão em “Noite e Dia” , guitarrista, cantor e DJ.

Como vocalista e compositor da banda Gang 90, Júlio Barroso não sabia, mas criara um legado que perpetua até os dias de hoje. A banda é um dos primeiros novos a se destacar no Brasil, produtores de rock new wave misturado a viagens beatniks com drinks, drogas e uma levada B-52s trouxeram ao país a primeira tendência da gringa, inspirando uma geração a acreditar que, por mais estranho que seja o som, ele é sua verdade e isto é o que importa.

Gang 90 e as Absurdettes esteve na ativa entre 1981 e 1987, entre integrantes fixo e os não fixos, mais de vinte pessoas circularam pelas banda, dentre todos, destacam-se alguns nomes como: Lobão, Alice Pink Pank, Lee Marcucci e Taciana Barros.

Com a morte prematura de Júlio Barroso em 1984 – acreditasse que ele tenha caído acidentalmente da janela de seu apartamento em São Paulo após ter sido expulso de um centro de reabilitação – Taciana Barros tomou a frente da banda e tentou dar continuidade ao trabalho que construía ao lado de seu namorado, Júlio. A Gangue lançou sem Júlio Barroso: “Rosas e Tigres” (1985) e “Pedra 90” (1987).