Os Mutantes, a história viva da música brasileira, faz show em São Paulo. Porém, não empolga tanto assim. Saiba mais.

São Paulo, uma das cidades mais agitadas da América Latina, ganhou um novo festival. A primeira edição do Três Olhos Music Festival aconteceu no último sábado (25/11), o espaço escolhido pela organização foi o Tropical Butantã. A atração principal da noite era, sem dúvida alguma, a banda que se encarrega de carregar o maior nome nacional de todos os tempos quando o assunto é música, Os Mutantes. Ainda se apresentariam: Grand Bazaar, BIKE, Cartoon e Dada Yute.

As apresentações começaram cedo, apesar do pequeno atraso. Com pouco tempo no palco, as bandas BIKE e Grand Bazaar, dois shows que se destacaram diante do line com cinco atrações,  tocaram mesmo para os curiosos que, contrariando a maioria, apareceram por lá antes das 17h da tarde. Quando Os Mutantes, finalmente, subiram ao palco, o pequeno público não parecia muito animado.

Tocando clássicos como “Bat Macumba”, “Ando Meio Desligado” e “Minha Menina” Sergio Dias e banda conseguiram levantar a galera, que finalmente começava a entender que estava diante de uma lenda, o Papa do rock no Brasil. Porém, mais americanizado do que nunca, eles incluem versões em inglês que ajudam a quebrar o clima que já estava difícil construir, quando a música já vinham em inglês de fabrica, como no caso da novíssima “Black And Gray”, o que se ouvia eram os murmurinhos do público.

Os Mutantes. Foto: Eduardo da Costa.

Em momento algum podemos questionar a habilidade musical com que Sergio conduz a banda, ele ainda é um Guitar Hero e sua história é seu maior escudo contra toda e qualquer crítica que possa lhe atingir. Infelizmente hoje Os Mutantes não podem mais dizer que fazem jus ao seu próprio nome, já que a sua essência se perdeu em tantos anos sem uma direção desde que o carro começou a dar pane e ninguém percebeu.

O ponto alto da noite foi “Balada do Louco”, a energia de reconciliação com os outros Mutantes pairava no coração e imaginação de cada fã que estava em pé cantando e entoando o fácil refrão de 1972. Os paulistanos tiveram ainda o prazer de conhecer Carly Briant, inglesa entusiasmada, que traz um ar de juventude a banda, uma presença feminina que não tenta emular Rita Lee e tem seu toque de singularidade e simpatia.

A apresentação passeia por diversos discos da história da banda, história essa que se confunde com a história do rock no Brasil. Aos que não conheciam nada sobre a banda, pode-se dizer que saíram com um resumo daquilo que a banda já foi um dia, mas um resumo é sempre um resumo. Procure saber.