O disco “Yermandê” foi gerado da convivência de Ligia Kamada com o povo Senegalês e Europeu e nasceu com a vivência dos últimos anos na Serra da Mantiqueira.

Quando Ligia Kamada retornou ao Brasil, em 2012, depois de uma temporada de sete anos morando em diversas cidades da Europa, sentiu logo o desejo de musicar e gravar essa sua experiência vivida, tendo em vista que a bagagem cultural que ela trazia deveria conter uma diversidade ampla. Foi quando um amigo lhe fez um pedido inesperado: “quero ouvir o que você sente vontade de cantar”. A artista precisou de tempo, agora ela surge com a obra “Yermandê”, disco que floresceu de toda essa experiência.

Foi na Serra da Mantiqueira, na cidade de Monteiro Lobato que a artista encontrou espaço para se reencontrar com as experiências vividas durante esses sete anos, ali ela também teve acesso à natureza e a todos os seus sons únicos. Logo ela começou a misturar sons da natureza com batidas eletrônicas e a isso incorporou suas esperanças.

Yermandê | Ligia Kamada

Capa do disco “Yermandê”.

“Yermandê” é uma palavra do idioma Wolof, língua falada na África Ocidental, principalmente no Senegal, e seu significado é de “Compaixão”. O sentimento que despertou em Ligia Kamada após ver refugiados africanos desembarcando no Velho Mundo em busca de dignidade.

Decifrar o estilo musical deste disco é uma tarefa difícil, a primeira faixa, “Au-Delà De Soi”, carrega uma sonoridade sombria e pesada, já em “Abriu A Porta”, segunda faixa do disco, a sonoridade sombria dá espaço a uma celebração afro-brasileira. As letras são cantadas em francês, em português, com batuques swingados, assim como a África ensinou ao mundo, e ainda há espaço para as influências da roça, da natureza, como já havíamos falado e também bases eletrônicas.

Gravado no estúdio Traquitana, em São Paulo, produzido por Marcelo Dworecki e Cris Scabello, “Yermandê” mostra uma artista que sabe trabalhar a sua própria pluralidade com a do espaço onde vive ou, melhor dizendo, viveu, durante determinado período. O trabalho se faz mais plural ainda com suas participações de peso, como, por exemplo, o poeta arrudA, Pipo Pegoraro e Peri Pane.

Ouça “Yermandê” – Ligia Kamada: