Integrante de importantes bandas da nova safra de música alternativa, o Victor Meira montou uma playlist pra participar do nosso especial de Ano Novo.

Aproveitando as férias pra criar conteúdo e em consequência disso fazendo amigos, nós tivemos a sorte e conhecer pessoalmente o Victor Meira, em janeiro você vai poder ouvir nosso bate papo. Enquanto isso vamos curtir a playlist que o cara preparou pra gente no especial de Ano Novo.

“Natal, ano novo, música não tem dia nem hora certa (tô fazendo tipo discurso de Oscar, se ligou?). Aqui vai uma lista de sons que eu ouvi bastante em 2016, alguns lançados esse ano, outros um pouco antes, mas tudo bem recente, com o frescor do nosso zeitgeist. 

Começo pela nova do At The Drive-in, Governed by Contagions, puta porrada que os caras soltaram no susto agora no fim do ano, com o mesmo ímpeto e sangue que a banda sempre teve. Deus vem na sequência e tudo nessa música é interessante: a batera, as linhas de guitarra, a trama quebra-cabeça. Molasses dá uma esfriada e pra quem ficou de mimimi aí com papo de “acaba logo 2016”, fica um “might not ge-e-et any better” aí, viu? Não-Recomendado vem que nem uma marreta emocional, com ênfase pro finalzinho dela, no trecho em que Liniker e Caio Prado fazem dueto. Música poderosa. Lazarus e seu locutor consciente-mesmo-póstumo, triste, pesaroso e lindo. Mesmo Assim segue lembrando que “dois voando voando valem muito mais, sempre mais”, embalando a gente com suavidade, e Daydreaming descreve a vida do músico, do artista, do sonhador que nunca aprende, que passa do ponto em que poderia retornar, e que só existe para te servir. Bubna é um espelho, um olhar-para-dentro com recato e carinho por si mesmo, exercício que fortalece e enche a gente de vontade. Daí o bicho pega em Taming the Dragon: para tudo o que você tá fazendo e presta bastante atenção na narrativa, acompanha a história. Garanto que vai ser foda. E aí joga tudo pra cima e derruba a mesa com as provocações de Pernas. The Hotelier é um som que eu ainda tô sacando, mas quando ouvi Soft Animal bateu meio que de primeira. Caronte te chama gentilmente pra embarcar na viagem decisiva de tudo, “não, não tenha medo”. E Secrets me chamou atenção pela primeira vez porque a melodia de voz do verso lembrou muito uma música chamada “28”, do Carlos Careqa (tá no disco “Tudo Que Respira Quer Comer”. Ele canta junto com a Mônica Salmasso). Imagine? Será que a música do Careqa cruzou a pesquisa musical da Jessica Dobson em algum momento, nesses nossos tempos de Discover Weekly (Spotify)? Ariah Being é uma das poucas faixas que eu realmente gosto da Kiev, mas é um som lindo! Changes é do Mawn, projeto atual e muito bonito da ex-vocalista da Jennifer Lo-fi (Sabine), banda que deixou saudades aqui em São Paulo. Already There é som de mestres, atmosfera e linhas instrumentais maravilhosas que nunca cansam de soar fodas. Ultralight Beam tá entre as que eu mais ouvi no repeat esse ano. Adoro a menininha falando “hallelujah”, haha! Artemísia é flechada no peito de conceito mofado, música corajosa que merece muito protagonismo no rock nacional. Head Home é do tipo de música que depois da terceira ouvida ela entra no coração e não sai mais, te faz lembrar dos anos 90 (apesar de ser de 2008) e coisas boas. E nesse finalzinho da lista fechei com três sons feitos aqui no quintal de casa, Yorick, Ciço e Trauma.

Aproveita a viagem e me conta depois!” 🙂

Ouça a Playlist Victor Meira – Pacóvios: